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O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
A pergunta está intacta. Dez passagens não a responderam, e não poderiam, porque ela não é do tipo que se responde. Ela é do tipo que se torna cada vez mais necessária à medida que se a habita: quanto mais se percorre o não-saber, mais clara se torna a pergunta que ele exige, mais precisa a formulação que Clarice encontrou com sete palavras que nenhum sistema filosófico elaborado produziu com a mesma economia e a mesma profundidade.
6 de set.16 min de leitura


O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
(...) o ambiente tecnológico contemporâneo produz uma intolerância ao vazio que é, em seus efeitos, equivalente a uma proibição do não-saber. Qualquer momento de indeterminação, qualquer pausa, qualquer silêncio, qualquer hesitação, é imediatamente preenchido pelo dispositivo que está na mão: uma notificação, um vídeo, uma mensagem, um artigo. O vazio que poderia tornar-se não-saber produtivo é convertido, antes de poder assumir essa forma, em mais um item da lista de consumo
23 de ago.18 min de leitura


O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
Fazer com o não-saber de si, fazer com a multiplicidade, com a dispersão, com a ausência de duplo estável, com o eu que emerge da relação sem jamais fechar sobre si, inclui, portanto, fazer com o tempo: com o tempo que se tem e que não se sabe quanto é, com o eu que se está sendo e que não se sabe completamente o que é, com a vida que se vive e que, como Clarice soube dizer com mais precisão do que qualquer filósofo
9 de ago.19 min de leitura


O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
Fazer com o não-saber feminino, com esse não-saber específico que é ao mesmo tempo condição universal e posição histórica particular, inclui, portanto, fazer com o silêncio herdado: reconhecê-lo não como vazio, mas como reserva; encontrar nele não a ausência de saber mas a presença de um saber que aguarda forma; e dar-lhe, quando possível e ao preço necessário, a forma que lhe foi negada.
26 de jul.17 min de leitura


Canto do Cansaço: Por uma Escatologia do Esgotamento
Este ensaio começa onde todos os outros terminaram. Ele não pretende demonstrar, provar ou convencer. Ele quer, antes, cantar: cantar o cansaço, esse estado que a modernidade aprendeu a medicar, a negar, a acelerar. Mas o cansaço de que falamos não é a fadiga que se resolve com uma noite de sono. É um cansaço mais fundo, daquelas camadas da alma onde as certezas já não sustentam, onde as perguntas já não encontram respostas, onde o próprio impulso de continuar parece ter se e
31 de mai.24 min de leitura


O Arquiteto das Sombras: Uma Fenomenologia Urbana
Era a terceira semana desde que abandonara o projeto do Museu de Arte Contemporânea após a reunião que selaria seu destino profissional. "Ausência de contrastes", murmurou, folheando compulsivamente as margens anotadas do Ser e Tempo que devorava durante suas insônias. Cada página trazia rabiscos febris de sua própria letra: "A técnica moderna revela o ente como fundo disponível", "O ser-no-mundo não é espacial, é espacializante", "A angústia desvela o nada"
21 de set. de 20257 min de leitura
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