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O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
O corpo não é o lugar onde o não-saber ocorre. É o lugar onde o não-saber é: onde ele tem endereço, temperatura, peso. O arc intentionnel de Merleau-Ponty o projeta antes da mente pensar. O quiasma o tece entre o sujeito e o mundo antes de a linguagem separar os dois. A ressonância vivida de Minkowski o mantém vibrando antes de se tornar representação. Os poemas de Herberto Helder e de Adélia Prado o capturam no instante em que ainda não decidiu o que é.
há 2 dias16 min de leitura


O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
A atenção, hoje, é quase sempre entendida como foco: concentração de energia psíquica sobre um objeto com vistas a extrair dele o máximo de informação no mínimo de tempo. É o que se treina nas escolas, o que se cobra nas empresas, o que se gere com aplicativos de produtividade. Essa atenção é essencialmente predatória: ela vai ao objeto para retirar algo dele; ela termina quando a extração está completa; ela é bem-sucedida quando transforma o não-saber em saber administrável.
21 de jun.17 min de leitura


O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
O mais comum é tratar o não-saber abissal como se fosse ignorância, como se a questão "quem sou eu?" pudesse ser resolvida com mais informação sobre si mesmo, com mais terapia, com mais leitura, com mais autoconhecimento acumulado como se acumula dados em um banco. Essa é a ilusão que sustenta boa parte da indústria contemporânea do desenvolvimento pessoal: a ideia de que o autodesconhecimento é um problema que se resolve, e que o instrumento de solução é a introspecção siste
14 de jun.15 min de leitura


O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
Há perguntas que inauguram métodos. Há perguntas que encerram disputas. Há perguntas que se disfarçam de perguntas e são, na verdade, afirmações vestidas de interrogação — a retórica, como Michelstaedter soube, sempre preferiu a pergunta que já contém sua resposta ao risco de uma pergunta verdadeira. E há, por fim, um outro tipo de pergunta: aquela que não espera resposta porque é ela mesma o lugar onde o sujeito se instala, onde a linguagem chega ao seu limite e continua fal
7 de jun.12 min de leitura


Canto do Cansaço: Por uma Escatologia do Esgotamento
Este ensaio começa onde todos os outros terminaram. Ele não pretende demonstrar, provar ou convencer. Ele quer, antes, cantar: cantar o cansaço, esse estado que a modernidade aprendeu a medicar, a negar, a acelerar. Mas o cansaço de que falamos não é a fadiga que se resolve com uma noite de sono. É um cansaço mais fundo, daquelas camadas da alma onde as certezas já não sustentam, onde as perguntas já não encontram respostas, onde o próprio impulso de continuar parece ter se e
31 de mai.24 min de leitura


A Arte de Deixar a Pergunta Viva: Por uma pedagogia da suspensão da resposta
Este ensaio nasce de uma convicção que os três ensaios anteriores desta série foram construindo progressivamente: que o aprendizado genuíno exige tempo, exige cansaço, exige a permanência na incerteza que a cultura contemporânea e a pedagogia que ela produziu tende sistematicamente a abreviar.
17 de mai.51 min de leitura


A Leveza Conquistada: Por uma epistemologia da despreocupação
Este ensaio é o terceiro de uma série que não foi planejada como série, mas que se revelou como tal. O primeiro examinou o aprendizado como repetição da pergunta até o cansaço. O segundo examinou a epistemologia da suspeita de si e os caminhos para que ela não resulte em niilismo. Este terceiro é, de certa forma, o seu desdobramento natural: se a pergunta precisa cansar para que a resposta nasça, e se a suspeita de si precisa ser atravessada para não se converter em paralisia
3 de mai.60 min de leitura


O Mistério, Eu e Outros Eus
Há certas perguntas que nos perseguem a vida inteira. "Por que estou triste?" "Por que o a produtividade da empresa caiu 3%?" "Por que o cachorro late para o vento?" A humanidade, desde que se entende por gente, tenta responder. Criou a filosofia, a psicanálise, o brainstorming, os post-its amarelos, os planos de ação, as sessões de terapia às quartas-feiras às dezenove horas.
Não resolveu.
O que nos resta, então? Rir. Ironizar. Escrever.
26 de abr.12 min de leitura


A Suspeita de Si: Uma epistemologia do olhar voltado para dentro, entre filosofia, literatura e psicanálise
A tese central é que a suspeita de si é necessária, mas que ela precisa ser atravessada, isto é, que há um outro lado do qual ela pode emergir não como niilismo, mas como uma forma mais honesta, mais responsável e paradoxalmente mais livre de existir.
19 de abr.20 min de leitura


O Arquiteto do Esquecimento
Quando Martim colocou a última pedra no topo da torre, aos cinquenta e sete anos de idade, ele não sentiu triunfo. Sentiu apenas o peso súbito da ausência, a ausência do projeto que por três décadas havia ocupado cada fenda de sua consciência. A torre erguia-se agora contra o céu cinzento do planalto, suas linhas ascendendo em espiral perfeita, cada ângulo calculado para desafiar não apenas a gravidade, mas o próprio tempo. Martim havia construído uma catedral sem Deus...
12 de abr.13 min de leitura


O Cansaço da Pergunta: Uma Epistemologia do Esgotamento entre Filosofia, Literatura e Psicologia
Este ensaio [...] [P]ropõe-se a examinar uma tese que tem a aparência de paradoxo, mas que talvez seja simplesmente verdadeira: o aprendizado consiste em repetir a pergunta até que a pergunta canse e a resposta nasça. Não é um método. Não é uma técnica. É uma fenomenologia — a descrição de como o conhecimento profundo acontece quando ninguém está olhando, quando os manuais já foram fechados e o aprendiz ficou sozinho com a questão.
5 de abr.22 min de leitura


A Antropofagia e a Metafísica da Existência
Não acreditamos na dicotomia. O espírito recusa-se a conceber espírito sem corpo. A alma é uma invenção do colonizador para negar o ventre. O abstrato é o exílio. A carne é o território.
O grande pecado da metafísica é a fome de eternidade. Ela quer o imutável, o absoluto, o puro. Nós celebramos a podridão, a fermentação, a transformação. A verdade não está na estátua de mármore, mas no fruto caindo da árvore e se tornando terra.
22 de mar.10 min de leitura


A Indignação Metafísica: Consciência como Testemunha da Vergonha do Cosmos
Este ensaio investiga uma forma de indignação que precede qualquer injustiça particular: a indignação metafísica, entendida como espanto moral diante da própria estrutura do ser que torna possível o sofrimento. A partir de uma análise comparada das tradições filosóficas ocidentais e orientais, argumentamos que a consciência não emerge como privilégio ontológico, mas como testemunha convocada involuntariamente para contemplar o que o universo não consegue ver de si mesmo.
15 de mar.16 min de leitura


Explorando o conceito de conhecimento fluido
Vivemos em um mundo onde o saber não é mais estático, mas sim uma corrente que flui, se adapta e se transforma. Essa ideia me fascina profundamente, pois nos convida a repensar a forma como entendemos o aprendizado e a inteligência. O conceito de conhecimento fluido é uma chave para abrir portas que antes pareciam trancadas, revelando uma nova dimensão do que significa realmente conhecer. O que é o conceito de conhecimento fluido? Antes de mergulharmos mais fundo, é important
2 de mar.4 min de leitura


Manifesto Antropofágico da Insistência e Outros Textos sobre a Compulsão à Repetição
Só me é interessar o que não é meu. Lei do homem. Lei do insistente.
Devoramos Freud, o pai assombrado. E filtramos sua compulsão. Com a farinha do nosso próprio caráter. E fizemos dela um novo totem: a Insistência Ritual.
Contra o Progresso Linear. Contra a evolução como fuga. A verdadeira evolução é a volta ao ponto crucial, mastigado, digerido e cuspido em nova forma. O ontem revisitado é o amanhã possível.
1 de mar.9 min de leitura


Saúde Mental como Direito Fundamental no Ordenamento Brasileiro: Fundamentos Antropológicos, Sociológicos e Filosóficos
A saúde mental como direito fundamental é, portanto, um compromisso ético e político com a dignidade de todas as pessoas, especialmente as mais vulneráveis. É um compromisso com a construção de uma sociedade que acolhe, cuida, reconhece e inclui, em vez de excluir, estigmatizar, segregar e punir. É um compromisso com a democracia substantiva, não apenas formal — uma democracia na qual todas as pessoas possam efetivamente participar, contribuir, existir com dignidade.
22 de fev.68 min de leitura


A Espera da Esperança: Reflexões sobre a Natureza da Esperança
A Fé é uma estátua de barro cozido no forno da alma. A Saudade é um baú de cedro com ferragens de bronze. Esperar é um verbo que se estica no tempo, é fio. Mas a esperança — ah, a esperança é o novelo inteiro, compacto e mudo, ocupando um lugar no espaço da alma. Não se esperança. Tem-se esperança. Como se tem um osso. Como se tem uma pedra preciosa que não brilha. É um ter. E nesse ter há uma posse tão íntima que beira a violência. A coisa esperança adere à carne interior, c
1 de fev.10 min de leitura


A Obsolência Programada das Emoções na Atualidade
Este ensaio transpõe o conceito de obsolescência programada da produção industrial para o campo das emoções humanas, sustentando que, na sociedade da hiperconectividade e do capitalismo de vigilância, os afetos passam a ser estruturados como efêmeros, descartáveis e substituíveis.
11 de jan.72 min de leitura


O Alvo Errado – Um Conto de Ano Novo
Quando o champanhe tocou seus lábios, Lucas sentiu algo mudar dentro dele. Não era uma epifania súbita. Era mais como uma porta se abrindo lentamente, revelando um corredor longo e escuro que ele teria que atravessar sozinho. Ele compreendeu, naquele momento, que seu avô não estava apenas lhe dando um conselho. Estava lhe passando uma tocha que em breve não poderia mais carregar.
31 de dez. de 20257 min de leitura


Reconfigurações do Masculino: Da Hegemonia à Masculinidade Relacional-Integrativa – Perspectivas para o Combate à Violência Doméstica ou de Gênero
A compreensão da masculinidade tem sido, ao longo da história, um campo fértil para a sociologia, a psicologia e os estudos de gênero. Este ensaio propõe uma jornada analítica que parte da crítica à masculinidade hegemônica, conceito central na obra de Raewyn Connell (1995), para então explorar teorias alternativas e, finalmente, apresentar a proposição de um modelo de Masculinidade Relacional-Integrativa (MRI).
21 de dez. de 202522 min de leitura
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