Quando Martim colocou a última pedra no topo da torre, aos cinquenta e sete anos de idade, ele não sentiu triunfo. Sentiu apenas o peso súbito da ausência, a ausência do projeto que por três décadas havia ocupado cada fenda de sua consciência. A torre erguia-se agora contra o céu cinzento do planalto, suas linhas ascendendo em espiral perfeita, cada ângulo calculado para desafiar não apenas a gravidade, mas o próprio tempo. Martim havia construído uma catedral sem Deus...