A escrita nasce do não-saber. Não apesar do não-saber, não depois de o não-saber ter sido resolvido, não como veículo de um saber que já existia antes dela: a escrita nasce do não-saber, como os rios nascem das montanhas: por excesso de pressão que precisa de saída, por acumulação que ultrapassa a contenção, por uma força que vem de um lugar que ninguém escolheu e que se move numa direção que só se conhece depois de ter percorrido.