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O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
A pergunta está intacta. Dez passagens não a responderam, e não poderiam, porque ela não é do tipo que se responde. Ela é do tipo que se torna cada vez mais necessária à medida que se a habita: quanto mais se percorre o não-saber, mais clara se torna a pergunta que ele exige, mais precisa a formulação que Clarice encontrou com sete palavras que nenhum sistema filosófico elaborado produziu com a mesma economia e a mesma profundidade.
6 de set.16 min de leitura


O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
Fazer com o não-saber de si, fazer com a multiplicidade, com a dispersão, com a ausência de duplo estável, com o eu que emerge da relação sem jamais fechar sobre si, inclui, portanto, fazer com o tempo: com o tempo que se tem e que não se sabe quanto é, com o eu que se está sendo e que não se sabe completamente o que é, com a vida que se vive e que, como Clarice soube dizer com mais precisão do que qualquer filósofo
9 de ago.19 min de leitura
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