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O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
O que as nove passagens anteriores tornaram possível articular são quatro modos de fazer com o não-saber, quatro posturas que não são respostas à pergunta de Clarice mas práticas que a habitam: modos de estar no não-saber que não o eliminam nem o ignoram, que o tomam como material e o trabalham sem pretender dissolvê-lo. Os quatro modos são: habitar, jogar, rezar e escrever. Eles não são exaustivos: há outros modos que este ensaio não alcançou (...).
há 2 dias19 min de leitura


O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
A escrita nasce do não-saber. Não apesar do não-saber, não depois de o não-saber ter sido resolvido, não como veículo de um saber que já existia antes dela: a escrita nasce do não-saber, como os rios nascem das montanhas: por excesso de pressão que precisa de saída, por acumulação que ultrapassa a contenção, por uma força que vem de um lugar que ninguém escolheu e que se move numa direção que só se conhece depois de ter percorrido.
5 de jul.18 min de leitura
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