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O Mistério, Eu e Outros Eus

  • há 2 horas
  • 12 min de leitura
Uma ilustração surrealista e filosófica que divide a cena entre um ambiente corporativo e uma paisagem onírica. À esquerda, um escritório moderno com um quadro branco repleto de post-its coloridos e diagramas de 'causa-raiz'. À direita, o cenário se dissolve em um horizonte infinito sob um céu densamente alaranjado. No centro, um homem em um terno contemporâneo observa atentamente uma pequena moeda redonda na palma de sua mão. Post-its se soltam do quadro e flutuam no ar como folhas secas levadas pelo vento. Em uma mesa de madeira próxima, há uma xícara de café fumegante e uma cesta de biscoitos. A iluminação é cinematográfica, criando uma atmosfera de contemplação e aceitação do mistério.

Intróito ou Nota do Autor sobre estas Crônicas de Causas e Mistérios


Há certas perguntas que nos perseguem a vida inteira. "Por que estou triste?" "Por que o a produtividade da empresa caiu 3%?" "Por que o cachorro late para o vento?" A humanidade, desde que se entende por gente, tenta responder. Criou a filosofia, a psicanálise, o brainstorming, os post-its amarelos, os planos de ação, as sessões de terapia às quartas-feiras às dezenove horas.


Não resolveu.


O que nos resta, então? Rir. Ironizar. Escrever.


As crônicas que vêm a seguir — escritas em estilos tão diversos quantos os humores de quem as escreveu — são uma pequena tentativa de dar conta desse paradoxo moderno: vivemos numa época que exige causas para tudo, mas que só encontra soluções de verdade no que não tem explicação.


Se você está triste, esta leitura não vai curar sua tristeza. Se o seu negócio caiu 3%, ele não vai salvar seu trimestre. Mas talvez, apenas talvez, ele lhe devolva o direito de não saber. O direito de olhar para o céu laranja sem perguntar por quê. O direito de sentar na varanda com a angústia e tomar um café com ela, como quem recebe um velho amigo que não precisa de justificativa para bater à porta.


As crônicas foram escritas como se fossem de diferentes autores. Meus outros Eus. Todos eles, é claro, não escreveram uma linha sequer. A culpa é exclusivamente minha. Mas se, ao lê-los, você conseguir ouvir a voz de cada um, então meu trabalho terá valido a pena.


Ah, sim. Há também um personagem que se repete, como um vizinho inconveniente: um homem que vai à terapia e a reuniões, que não sabe de onde vem sua tristeza nem por que o número caiu, e que insiste em guardar o mistério no bolso, junto com a carteira e um post-it qualquer.


Se você se reconhecer nele, bem-vindo ao clube. O café está quente. A angústia trouxe biscoito.


Boa leitura. Ou, como disse meu outro Eu: Deus nos guarde de encontrar todas as respostas.


— O autor, que também não sabe de onde veio essa vontade de escrever.


1 O Mistério (sobre a terapia)


Chego na terapia. Sento. Silêncio. A terapeuta me olha com aquela cara de quem vai aguardar pacientemente até eu dizer algo profundo. Digo: “Estou meio triste, mas não sei por quê.” Ela inclina a cabeça, lápis na mão. “Vamos investigar?”


E aí começa a caçada. Não pode existir tristeza gratuita, ela é sempre um efeito com causa, um sintoma com raiz, um queijo com rato. “Quando começou?” “O que aconteceu na infância que te impedia de expressar essa tristeza?” “Se essa tristeza tivesse uma cor, qual seria?” — Roxa. “E um formato?” — Uma geladeira quebrada. Anoto tudo, saio de lá com a certeza de que minha tristeza veio do dia em que meu pai não compareceu à minha apresentação de balé aos oito anos. Nunca fiz balé, mas encontrei a causa.


O problema sou eu, claro. A gente vive numa época em que não se tolera mais o mistério. Antigamente, você acordava triste e pensava: “Ah, deve ser a umidade.” Hoje você precisa de um laudo, um gatilho, um trauma de estimação. Minha avó, coitada, nunca fez terapia. Ela só vivia. Teve uma fase em que chorava à tarde sem motivo aparente. Descobriu-se depois que era o fim do bigode do Garrincha. Brincadeira. Não era nada. Era só a tristeza, bicho, como a chuva. Às vezes chove no seu coração e acabou.


Na sessão seguinte, resolvi testar. Disse: “Estou tranquilo, mas não sei por quê.” Ela quase caiu da cadeira. “Tranquilidade sem causa? Isso é preocupante. Pode ser fuga, pode ser repressão, pode ser... vamos aprofundar?” E lá fomos nós, garimpando o motivo da minha felicidade. Descobrimos que era porque eu tinha comido um pastel de feira no domingo. Solução: comer pastel toda semana. Prescrição terapêutica.


O que me assusta é essa compulsão por solução. Tudo vira problema a ser resolvido. O amor, a morte, a escolha do sabor do sorvete. Se você passa uma semana sem fazer nada, não é descanso, é “resistência”. Se muda de ideia, não é incoerência humana, é “conflito não elaborado”. Eu queria chegar uma vez e dizer: “Olha, não sei por que estou assim. É um mistério. E quero que continue misterioso.” Aposto que ela me internaria.


No fundo, a terapia virou essa grande ironia: a gente paga alguém para nos convencer de que tudo tem explicação, numa época em que o mundo inteiro prova o contrário. A inflação não tem causa única. O flamengo não tem solução. Por que a minha angústia teria?


Saio da sessão. O céu está estranho, meio laranja. Não sei por quê. E não vou atrás. Pela primeira vez na semana, respiro aliviado. O mistério, esse velho amigo que a gente demitiu, volta a me fazer companhia. A gente caminha em silêncio. Sem causa. Sem solução. Só o passo, o vento, e aquela pergunta gostosa que não precisa de resposta: por que sim?


**


O terapeuta diz: “De zero a dez, onde você coloca sua ansiedade?”


Eu digo: “Sete.”


Ele anota. Mas o que ele anota? Talvez: “Paciente relata sete. Investigar se o três que falta é repressão ou preguiça.”


A verdade é que eu acordei com uma angústia redonda, dessas que cabem na palma da mão. Não tem causa. É como achar uma moeda estranha no bolso: você não sabe de que país é, mas resolve guardar. Só que na terapia não se guarda moeda estranha. A gente tem que fundir a moeda, descobrir o metal, a data de cunhagem, o nome do rei que mandou fazer.


“Você se lembra de alguma perda na infância?”


Perda? Perdi um pino de ligar. Perdi a tampa da caneta. Perdi a chance de dizer não para aquele estágio. Isso não são causas, são migalhas. A angústia não nasceu de uma perda. Nasceu de um excesso. De tudo ter que ter nome.


O terapeuta insiste: “E se a gente tentar um diálogo com essa angústia?”


Eu já tentei. Ela não responde. Fica ali, de pernas cruzadas, olhando para o teto. Às vezes balança a cabeça, como quem diz: “Você quer explicação? Não tenho. Só existo.”


Saio do consultório. A rua está cinza. Não é tristeza, não é melancolia. É só cinza. O céu não promete nada — e isso, de repente, é um alívio. Respiro.


Se o terapeuta visse, diria que estou fugindo. Mas talvez o mundo seja feito de coisas que fogem. O vento foge das mãos. A tarde foge do relógio. E essa angústia redonda, agora, rola para o bueiro.


Adeus, moeda estranha. Não vou gastar você em nada.


***


O terapeuta me perguntou por que eu estava triste.


— Não sei — respondi.


Ele esperou. Eu esperei. O relógio de parede fez tique-taque. O silêncio, na terapia, tem hora extra.


— Você nunca sabe — disse ele. — É sempre complicado saber, com você.


Concordei. Ele anotou alguma coisa. Provavelmente: “paciente resistente ao saber.”


— Vamos tentar de outra forma — ele sugeriu. — Se não sabe por que está triste, o que você acha que deveria saber para deixar de estar?


— Não sei também.


Ele suspirou. Não um suspiro de impaciência — o suspiro do profissional que vê ali um trabalho para o resto da vida.


A verdade é que eu gosto do mistério. Gosto de acordar com uma tristeza que não veio de lugar nenhum, como uma visita inesperada que não pede café nem explicação. Gosto de ficar com ela, em silêncio. O terapeuta, não. Para ele, tristeza sem causa é ameaça. É como um incêndio sem fósforo, uma conta sem loja.


— A angústia tem sempre um endereço — disse ele, com a sabedoria dos manuais.


— E se o endereço for um terreno baldio?


Ele não riu. Anotou “terreno baldio” com cara de quem vai me cobrar na próxima sessão.


Saí de lá e fui andar sem rumo. No caminho, vi uma placa: “Vende-se. Motivo: mudança.” Pensei em ligar e perguntar para onde tinham ido todas as causas da minha tristeza. Mas não liguei. Deixei a placa ali, no seu mistério de casa vazia.


****


A doutora me olha por cima dos óculos. Tem um jeito de quem vai desenterrar meu esqueleto e pendurá-lo num cabide para eu ver. “De onde vem essa angústia?”, ela pergunta.


Eu queria responder: “Do nada. Do mesmo lugar de onde vem o cheiro de café quando não tem café. De onde vem o desejo de dançar quando o rádio está desligado. De onde vem aquela lembrança súbita do vestido azul da minha mãe.”


Mas ela quer data, horário, nome de batismo. Ela quer a raiz, o tronco, o galho, a folha. Paciência. Vou inventar. “Da minha infância”, digo. Ela anota. “Do meu pai”, digo. Ela anota mais. Coitada, acha que o mistério se escreve com letra de forma.


A verdade é que eu gosto da angústia. Ela me visita como visita quem gosta da gente: sem avisar, com biscoito de polvilho na bolsa. Sentamos na varanda. Ela não fala muito. Eu também não. O vento balança a cortina. Deus deve estar vendo e rindo. Rindo com aquele riso grosso, de quem já plantou angústia no coração do mundo só pra ver a graça que a gente faz tentando arrancar.


Ontem, depois da sessão, passei na quitanda. Comprei laranja. Esprema sete. Tomei sentada no degrau. A angústia não foi embora. Nem precisava. Ela tomou um copo comigo. Depois foi embora sem se despedir, como quem diz: amanhã volto, viu? Trago mais biscoito.


Deus me livre de uma vida sem mistério. Deus me livre de uma terapia que cure tudo. O que seria de mim sem esse aperto no peito que me lembra que estou viva? O que seria de mim sem essa tristeza bonita, dessas que cabem na palma da mão e que a gente guarda na gaveta das meias, junto com o terço da vovó?


A doutora acha que eu preciso resolver. Eu acho que preciso é de mais uma laranja.


2 A reunião (ou o mistério entre os post-its e o quadro branco)


Mas a terapia é fichinha perto de uma reunião de resultados.


Lá estou eu, na sala com ar-condicionado congelante, projetor ligado, e o gerente pergunta: “Por que caímos 3% no trimestre?” Silêncio. Alguém arrisca: “Pode ser o cenário macro.” Outro: “O concorrente lançou uma feature.” Um terceiro, mais corajoso: “Falta de alinhamento entre as áreas.”


Ninguém sabe. Mas todo mundo precisa falar. Porque na empresa também não se tolera o mistério. Se o número caiu, houve uma causa. Se subiu, houve uma ação certeira. Se ficou estável, houve uma gestão de expectativas genial. O mercado é um grande terapeuta coletivo, com a diferença de que aqui o copagamento é sua alma e o resultado do próximo mês.


Ontem, no quarto slide de uma reunião que já durava duas horas, o diretor de marketing suspirou e disse: “Vamos fazer um brainstorming das causas-raiz.” Eu quase levantei a mão e perguntei: “Se a gente nunca encontrar a causa-raiz, ela deixa de existir? Ou a gente só ganha mais uma reunião na sexta às oito da manhã?” Mas não falei. Calaram minha boca com um café de cápsula e um biscoito de polvilho.


O jargão já virou doença. “Problem statement”, “five whys”, “análise de perturbação”. Você faz cinco perguntas de “por quê” e supostamente chega à verdade. Experimentei fazer o exercício na minha própria vida: por que estou entediado? Porque a reunião é longa. Por que a reunião é longa? Porque ninguém se preparou. Por que ninguém se preparou? Porque estavam em outra reunião. Por que estavam em outra reunião? Porque aquela também foi longa. Por que aquela foi longa? Porque alguém pediu um brainstorming das causas-raiz.


Veja: nunca fiz balé, mas encontrei a causa. Aliás, nunca fiz um layoff, mas encontrei a sinergia. Nunca lancei um produto inovador, mas fiz um roadmap. E o curioso é que todo mundo ali dentro sabe que a verdadeira causa de 90% dos problemas é óbvia: decisões ruins tomadas em reuniões anteriores tentando encontrar causas para problemas que talvez nem existissem. Mas isso não pode ser dito. Iria gerar uma causa nova, que é a falta de transparência, que geraria um plano de ação, que geraria uma nova reunião para acompanhamento — e aí já estamos no ciclo sem fim, o verdadeiro motor perpétuo do capitalismo contemporâneo.


No fim, o gerente resumiu o quadro branco com doze post-its coloridos e concluiu: “Temos hipóteses. Vamos validar com dados.” Eu olhei para a palavra “mistério” que rabisquei no canto do caderno, risquei, escrevi “oportunidade de melhoria” e fui almoçar.


Fora do escritório, o céu ainda estava laranja. Mas agora eu já sabia por quê: era poluição. Tudo tem explicação, sim. Esse é o problema.


**

Na sala, um post-it amarelo grita: “OPORTUNIDADE DE MELHORIA.”


Ao lado, um verde: “CAUSA RAIZ: ALINHAMENTO.”


O rosa, mais modesto: “PRAZOS.”


O gerente tem um marcador preto na mão. Escreve “ACTION PLAN” com três underlines. O quadro branco está com febre. Ninguém sabe o que causou a febre, mas todo mundo concorda que um plano de ação é o antitérmico ideal.


“Vamos fazer os cinco porquês.”


O primeiro porquê: por que o resultado caiu? Porque vendemos menos. Segundo porquê: por que vendemos menos? Porque o cliente não comprou. Terceiro: por que o cliente não comprou? Porque ele preferiu o outro. Quarto: por que ele preferiu o outro? Porque o outro era mais barato — ou mais rápido — ou sorria melhor no anúncio. Quinto porquê: por que o outro sorria melhor? Porque a vida é injusta.


A última pergunta não é anotada. Não cabe no post-it.


O que me assusta não é o número. É a coreografia. Todo mundo espia o relógio disfarçadamente, mas ninguém diz: “Talvez a causa não exista.” Dizer isso seria como confessar que o quadro branco pode ficar em branco. E o quadro branco limpo é o fim do mundo. O mundo corporativo precisa de rabiscos. O mundo precisa de uma espinha dorsal desenhada com marcador azul.


No fim, o gerente distribui tarefas. Cada um sai com seu post-it colado no peito, igual soldado com condecoração. Eu guardo o meu no bolso. Quando chego em casa, leio: “PROXIMOS PASSOS: REUNIÃO DIA 15.”


Colo o post-it na geladeira. Ao lado, um ímã em forma de queijo. O queijo não quer nada. O queijo só existe. Olho para ele e penso: essa é a única causa que abraço hoje.


***


O gerente entrou com o marcador preto e a alma leve. A alma leve de quem vai impor ordem ao caos.


— Pessoal — disse ele —, caímos 3% no trimestre. Vamos encontrar as causas.


A sala gemeu baixinho. Alguém tossiu. Alguém disse “cenário macro” com a esperança de que a frase fosse tão vaga que dispensasse qualquer ação concreta. Não dispensou.


O gerente desenhou um círculo no centro do quadro branco. Escreveu “QUEDA DE 3%” dentro dele. Depois, vários círculos menores ao redor, com setas.


— Causas primárias — explicou, como se explicasse o óbvio para crianças lentas.


Enchemos os círculos. Concorrência. Preço. Falta de alinhamento. Um estagiário escreveu “sinergia” num dos círculos, e ninguém teve coragem de dizer que sinergia não é causa de nada, é apenas uma palavra que cabe em qualquer slide.


Dois círculos ficaram vazios. O gerente olhou para eles com a intensidade de quem vê um atestado de incompetência coletiva.


— Não pode sobrar círculo vazio — disse. — Vamos fazer um brainstorming das causas que faltam.


E lá fomos nós, inventando. Clima. Câmbio. Guerra contra o Irã. O gerente anotou tudo, porque no mundo corporativo é melhor ter uma causa errada do que nenhuma causa. Causa errada vira ação corretiva errada, que vira reunião de acompanhamento, que vira hora extra paga — e isso, sim, é produtivo para a economia.


No fim, o quadro parecia um sistema solar mal diagramado. O gerente tirou uma foto com o celular. Eu olhei para o círculo da queda de 3% e pensei: talvez ela só tenha caído. Às vezes as coisas caem. Às vezes sobem. Às vezes ficam paradas. A natureza só não faz brainstorm.


Guardei minha mochila e fui embora. Antes de sair, passei a borracha num dos círculos vazios. Não no quadro. Na alma.


****

Quando entro na sala, já vou logo acendendo uma vela invisível no coração. Deus, me dá paciência. O gerente tem um marcador preto na mão e uma alma assustada. Ele não sabe, coitado, que o mundo não cabe em post-it.


“Vamos encontrar as causas da queda”, ele ordena. E eu penso: queda? Deus também caiu quando resolveu virar gente. Caiu na manjedoura, caiu na cruz, caiu na boca do povo. E ninguém fez brainstorming da queda de Deus. Só rezaram. E a chuva veio. E o trigo cresceu. E o amor aconteceu sem plano de ação.


Mas eu sei que não posso falar disso aqui. Então falo de concorrência. Falo de sinergia. Falo de alinhamento. Palavras grandes, ocas, que ecoam na sala igual sino de igreja sem badalo. O gerente sorri, anota. Todos suspirann aliviados. Ninguém quer saber da verdade.


A verdade é que o número caiu porque o número quis. Porque o número tem alma. Porque o número é como aquele passarinho que pousou no meu muro de manhã: veio, cantou, foi embora, e não me disse o motivo. Eu não perguntei. Eu só agradeci. Gzuis!


No fim da reunião, o gerente distribui tarefas. Eu ganho um post-it amarelo: “PROXIMOS PASSOS.” Chego em casa, colo na geladeira. Minha esposa pergunta o que é. “Nada”, respondo. “Coisa do escritório.” Ela ri, tira o post-it e joga no lixo. Coloca no lugar um ímã em forma de Nossa Senhora.


Abro a geladeira. Peixe, alface, maionese, o resto do bolo de cenoura. Isso sim é causa. Isso sim é raiz. A vida acontecendo enquanto a gente faz reunião para explicar a vida.


Deus me perdoe, mas às vezes acho que Ele não usa PowerPoint. Às vezes acho que Ele simplesmente permite. A chuva. A queda. O aumento. O amor. O não-amor. E a gente aqui, com post-it na testa, tentando provar que o mundo é matemática.


Não é. É graça. Termino a crônica e vou fazer um café. O cheiro enche a cozinha. Não tem causa. Não tem solução. Tem só cheiro. E já está bom.





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