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O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
A pergunta está intacta. Dez passagens não a responderam, e não poderiam, porque ela não é do tipo que se responde. Ela é do tipo que se torna cada vez mais necessária à medida que se a habita: quanto mais se percorre o não-saber, mais clara se torna a pergunta que ele exige, mais precisa a formulação que Clarice encontrou com sete palavras que nenhum sistema filosófico elaborado produziu com a mesma economia e a mesma profundidade.
6 de set.16 min de leitura


O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
O que as nove passagens anteriores tornaram possível articular são quatro modos de fazer com o não-saber, quatro posturas que não são respostas à pergunta de Clarice mas práticas que a habitam: modos de estar no não-saber que não o eliminam nem o ignoram, que o tomam como material e o trabalham sem pretender dissolvê-lo. Os quatro modos são: habitar, jogar, rezar e escrever. Eles não são exaustivos: há outros modos que este ensaio não alcançou (...).
30 de ago.19 min de leitura


O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
Há perguntas que inauguram métodos. Há perguntas que encerram disputas. Há perguntas que se disfarçam de perguntas e são, na verdade, afirmações vestidas de interrogação — a retórica, como Michelstaedter soube, sempre preferiu a pergunta que já contém sua resposta ao risco de uma pergunta verdadeira. E há, por fim, um outro tipo de pergunta: aquela que não espera resposta porque é ela mesma o lugar onde o sujeito se instala, onde a linguagem chega ao seu limite e continua fal
7 de jun.12 min de leitura


Canto do Cansaço: Por uma Escatologia do Esgotamento
Este ensaio começa onde todos os outros terminaram. Ele não pretende demonstrar, provar ou convencer. Ele quer, antes, cantar: cantar o cansaço, esse estado que a modernidade aprendeu a medicar, a negar, a acelerar. Mas o cansaço de que falamos não é a fadiga que se resolve com uma noite de sono. É um cansaço mais fundo, daquelas camadas da alma onde as certezas já não sustentam, onde as perguntas já não encontram respostas, onde o próprio impulso de continuar parece ter se e
31 de mai.24 min de leitura
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