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O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
A pergunta está intacta. Dez passagens não a responderam, e não poderiam, porque ela não é do tipo que se responde. Ela é do tipo que se torna cada vez mais necessária à medida que se a habita: quanto mais se percorre o não-saber, mais clara se torna a pergunta que ele exige, mais precisa a formulação que Clarice encontrou com sete palavras que nenhum sistema filosófico elaborado produziu com a mesma economia e a mesma profundidade.
6 de set.16 min de leitura


O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
O que as nove passagens anteriores tornaram possível articular são quatro modos de fazer com o não-saber, quatro posturas que não são respostas à pergunta de Clarice mas práticas que a habitam: modos de estar no não-saber que não o eliminam nem o ignoram, que o tomam como material e o trabalham sem pretender dissolvê-lo. Os quatro modos são: habitar, jogar, rezar e escrever. Eles não são exaustivos: há outros modos que este ensaio não alcançou (...).
30 de ago.19 min de leitura


O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
(...) o ambiente tecnológico contemporâneo produz uma intolerância ao vazio que é, em seus efeitos, equivalente a uma proibição do não-saber. Qualquer momento de indeterminação, qualquer pausa, qualquer silêncio, qualquer hesitação, é imediatamente preenchido pelo dispositivo que está na mão: uma notificação, um vídeo, uma mensagem, um artigo. O vazio que poderia tornar-se não-saber produtivo é convertido, antes de poder assumir essa forma, em mais um item da lista de consumo
23 de ago.18 min de leitura


O Que Eu Faço Com o Que Eu Não Sei?
Fazer com o não-saber de si, fazer com a multiplicidade, com a dispersão, com a ausência de duplo estável, com o eu que emerge da relação sem jamais fechar sobre si, inclui, portanto, fazer com o tempo: com o tempo que se tem e que não se sabe quanto é, com o eu que se está sendo e que não se sabe completamente o que é, com a vida que se vive e que, como Clarice soube dizer com mais precisão do que qualquer filósofo
9 de ago.19 min de leitura


A Indignação Metafísica: Consciência como Testemunha da Vergonha do Cosmos
Este ensaio investiga uma forma de indignação que precede qualquer injustiça particular: a indignação metafísica, entendida como espanto moral diante da própria estrutura do ser que torna possível o sofrimento. A partir de uma análise comparada das tradições filosóficas ocidentais e orientais, argumentamos que a consciência não emerge como privilégio ontológico, mas como testemunha convocada involuntariamente para contemplar o que o universo não consegue ver de si mesmo.
15 de mar.16 min de leitura


Ensaio - Revisitando Ética a Nicômaco e o Conceito de Justiça em Aristóteles
Este ensaio propõe uma leitura tensional da justiça aristotélica, destacando não só seus méritos teóricos, mas contradições internas que surgem ao confrontar princípios com aplicações. Argumenta-se que tais contradições, longe de invalidá-la, formam um laboratório conceitual. Ele ilumina questões perenes: a natureza relacional da justiça, os limites da racionalidade prática e os perigos da naturalização de hierarquias.
15 de ago. de 202525 min de leitura
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